
Você já percebeu que, no Brasil, a maioria das pessoas que trabalha por conta própria ainda não é formalizada? Pois é. Segundo dados recentes do IBGE, apenas um em cada quatro trabalhadores autônomos possui um CNPJ ativo.
Isso significa que, entre 25,5 milhões de profissionais por conta própria, só 6,6 milhões estavam formalizados em 2024.
Mas existe um lado interessante: apesar de o número ainda ser baixo, ele vem crescendo lentamente ao longo dos anos. Em 2012, apenas 15% eram formalizados. Em 2019, subiu para 20,2%. Em 2024, chegamos a 25,7%.
Ou seja: o processo é lento, mas o movimento de formalização está acontecendo.
Segundo os analistas do IBGE, muita gente simplesmente não vê necessidade.
A maioria dos empreendimentos ainda é pequena, muitas vezes familiar, e o autônomo só pensa em formalizar quando:
precisa emitir nota
quer acessar crédito empresarial
deseja contratar alguém
ou busca benefícios previdenciários
Outro ponto citado pelos pesquisadores é o medo de custos e burocracia, principalmente entre pessoas com menor escolaridade, que muitas vezes não sabem por onde começar.
LEIA AQUI👉Como é fácil criar seu CNPJ e se formalizar
A pesquisa divide os trabalhadores por conta própria em cinco grandes grupos, e a taxa de formalização muda bastante entre eles:
Comércio e reparação de veículos: 33,2%
Serviços: 31,5%
Indústria: 23,4%
Construção: 15,2%
Agricultura e pesca: 7,2%
Percebe como o comércio e os serviços estão bem à frente?
Isso acontece porque esses setores dependem mais de emissão de nota e relacionamento com clientes que exigem formalização.
Uma das descobertas mais fortes do levantamento é o impacto da escolaridade.
Quanto maior o nível de estudo, maior a formalização:
Sem instrução / fundamental incompleto: 11,2%
Fundamental completo / médio incompleto: 17,6%
Médio completo / superior incompleto: 27,9%
Superior completo: 48,4%
Ou seja: quanto mais a pessoa entende seus direitos, deveres e oportunidades, maior a chance de buscar um CNPJ.
Entre todos os trabalhadores do Brasil, o nível de sindicalização é de 8,9%.
Entre os conta própria, cai para 5,1% — outro indicador de baixa integração com estruturas formais de trabalho.
Se você é autônoma, empreendedora ou quer começar um negócio, isso mostra duas coisas importantes:
Quem se formaliza acaba saindo na frente.
Cada vez mais profissionais percebem que o CNPJ não é um “peso”, mas uma porta de entrada para crédito, parcerias e crescimento real.